Agregação de pesquisas com efeitos de casa, viés histórico medido em quatro eleições, matriz de transferência de votos, Monte Carlo com 200 mil cenários, atualização bayesiana, índices de poder no Congresso e o mapa dos governadores. Cada número com fonte. Cada estimativa rotulada.
Em setembro, quando a maioria das pesquisas dava Lula à frente, publiquei o argumento abaixo. O 1º turno de 4 de outubro é o primeiro teste empírico dele.
"Aqui o argumento é de momentum e viés de medição. Na mesma série Datafolha, Flávio saiu de 32% em julho para 36% no fim de setembro, enquanto Lula ficou parado em torno de 40%, ou seja, o spread comprimiu de 8 para 4 pontos em dois meses. Na Quaest de 17 a 20 de setembro, o segundo turno aparece em 42% a 41%, um empate técnico dentro da margem. O segundo vetor é histórico. Em 2022, as pesquisas da última semana do primeiro turno divergiram fortemente do resultado, e o erro favoreceu a direita, o que sustenta um ajuste de viés positivo para Flávio. O terceiro é a conversão de indecisos e de eleitores dos candidatos menores da direita no segundo turno. Momentum, mais viés histórico de subestimação, mais um pool de transferência anti-Lula, colocaria o valor esperado de Flávio acima do que o número cru das pesquisas mostra."Saulo Dutra, setembro de 2026
O que aconteceu. Na véspera, os cinco institutos de mídia davam Lula à frente em votos válidos: Datafolha 45 x 42, Quaest 46 x 45, AtlasIntel 47,0 x 44,1, PoderData 45 x 43, CNT/MDA 47,8 x 42,1. A urna deu Flávio 47,03 x 45,16. Os cinco erraram para o mesmo lado. O Datafolha subestimou Flávio em 5,0 pontos no candidato e 4,9 no spread. Só Gerp (44 x 46) e Futura (42,6 x 44,8) apontaram o vencedor.
O que isso vale e o que não vale. Acertar a direção do erro uma vez não prova um modelo. Prova que os três vetores (momentum, viés, pool de transferência) eram reais em 4 de outubro. A pergunta desta página é outra: quanto desses vetores sobrevive a um 2º turno de dois candidatos, onde a literatura mostra que o erro das pesquisas cai e onde o incumbente tem o colchão social do Nordeste. A resposta vem em probabilidade, não em certeza.
| Instituto (campo até) | Lula | Flávio | Spread | Erro vs urna |
|---|---|---|---|---|
| CNT/MDA (02/10) | 47,8 | 42,1 | L +5,7 | 7,6 pp |
| Datafolha (03/10) | 45 | 42 | L +3,0 | 4,9 pp |
| AtlasIntel (02/10) | 47,0 | 44,1 | L +2,9 | 4,8 pp |
| PoderData (02/10) | 45 | 43 | L +2,0 | 3,9 pp |
| Quaest (03/10) | 46 | 45 | L +1,0 | 2,9 pp |
| Gerp (02/10) | 44 | 46 | F +2,0 | 0,1 pp |
| Futura (03/10) | 42,6 | 44,8 | F +2,2 | 0,3 pp |
| Urna (TSE, 04/10) | 45,16 | 47,03 | F +1,87 | — |
Eleitorado 158.745.502 · comparecimento 125.275.835 (78,92%) · abstenção 33.469.244 (21,08%, a maior desde 1998) · brancos 2.300.798 (1,84%) · nulos 3.669.003 (2,93%) · válidos 119.300.788. Urnas substituídas: 1.543 (0,28%). Pausa de 50 minutos na divulgação (19h14–20h04) que, segundo nota do TSE de 06/10, não afetou a contagem.
Modelo aditivo de Jackman (2005): cada pesquisa é consenso do momento + efeito de casa + ruído. O consenso é uma média com decaimento no tempo (meia-vida de 10 dias) e peso por raiz do tamanho da amostra; o efeito de casa tem encolhimento bayesiano para zero.

Leitura. Hoje o consenso das pesquisas de 2º turno, com os efeitos de casa removidos, está em — (erro-padrão —), construído sobre — pesquisas. Ou seja: o número cru das pesquisas é um empate técnico com leve vantagem de Flávio. Tudo que vem depois nesta página é a correção desse número cru por três coisas que as pesquisas não capturam bem: o viés sistemático, a transferência dos eliminados e a inércia histórica do líder.
Efeitos de casa. A tabela ao lado mostra quanto cada instituto mede Flávio acima ou abaixo do consenso. Efeito positivo não significa "pesquisa errada": significa que aquela casa, por método de coleta (presencial, telefone, painel digital) e ponderação, tende a dar um número mais alto para Flávio. O modelo usa isso para não deixar uma casa com muitas publicações puxar o consenso.
data/pesquisas_2t.csv.Erro = spread da última pesquisa de cada instituto − spread da urna, sempre em votos válidos e sempre como direita − esquerda. Negativo = a pesquisa subestimou a direita.

O padrão. Em oito turnos presidenciais desde 2010, as pesquisas subestimaram a direita em seis. As exceções são o 2º turno de 2010 (Datafolha 55 x 45 contra 56,05 x 43,95: Dilma subestimada) e o 2º turno de 2018, em que Datafolha e Ibope, com os válidos que eles mesmos publicaram, subestimaram Bolsonaro em 0,3 a 2,3 pontos enquanto Paraná Pesquisas, FSB, Ipespe e Real Time o superestimaram em 2,4 a 10,9: cinco casas para um lado, três para o outro. Média da série, um ponto por eleição: o viés que importa para o 2º turno de 2026 é — com desvio de — pontos (— turnos). — dos registros individuais erraram contra a direita.
Por que o 1º turno erra mais que o 2º. Pereira & Nunes (2024, Opinião Pública) mostram com dados Quaest que o erro de 2022 veio de voto útil tardio e de dois bolsões mal capturados: evangélicos (vantagem de Bolsonaro de 27 para 39 pontos entre intenção e voto reportado) e eleitores que se informam pela internet (de 6 para 13 pontos). No 2º turno não há voto útil a fazer, e o erro do agregador caiu para 1,1 ponto. Por isso o prior deste modelo pesa o 2º turno em 1,0, o 1º turno de 2026 em 0,75 (mesmas casas, mesmos candidatos, mesmo ano) e os 1ºs turnos anteriores em 0,25.
Regra prática (Shirani-Mehr, Rothschild, Goel & Gelman, 2018, JASA): o erro realista de uma pesquisa na reta final é cerca de duas vezes o implícito na margem publicada, porque o viés comum da eleição se soma ao erro amostral. Uma pesquisa "±2" por candidato tem, na margem entre os dois, um erro-padrão de uns 3,5 pontos. Uma Datafolha 47 x 46 não separa ninguém. Nota de transparência: Felipe Nunes, coautor do estudo de 2024 citado acima, dirige a Quaest; o achado foi conferido no texto do artigo, não na nota de imprensa.
data/erro_pesquisas.csv: Wikipédia (pesquisas 2014/2018/2022/2026), InfoMoney, O Povo, Congresso em Foco, CNN Brasil, Gazeta do Povo, Metrópoles. Onde o instituto não publicou válidos, o número foi recalculado dos totais e marcado como estimativa.Aritmética do 2º turno com comparecimento e brancos iguais ao 1º: Flávio precisa de 38% do pool transferível para passar de 50%; Lula precisa de 62%. A "segunda opção" medida por Quaest e Datafolha dá a Flávio de 1,3 (eleitor de Cury, o mais dividido) a 5 (eleitor de Renan) votos para cada 1 de Lula nesse pool.

Quem já se declarou. Zema (0,27%): "Voto contra o PT, voto no Flávio Bolsonaro" (05/10). Caiado (2,18%), em Goiânia, com Tarcísio e Daniel Vilela: "Aqui o PT não tem vez, vamos juntos com Flávio Bolsonaro" (06/10). A federação PP + União Brasil (86 deputados eleitos, por unanimidade), a bancada ruralista (FPA) e Michel Temer também (06/10); Republicanos e Podemos anunciados para 07 e 08/10. Augusto Cury (2,89%): "Eu me silencio completamente em relação àqueles que estarão no segundo turno". Renan Santos (2,24%): "Façam o que quiserem", "Eu já avisei que eu não voto em bandido", mas também: "A eleição já é do Flávio Bolsonaro". PSD de Kassab (desde a noite de 04/10) e MDB: neutralidade institucional; o apoio de Caiado é pessoal, e Temer não é o MDB. A federação PP + União não é bloco transferível: ACM Neto (União-BA), André Fufuca (PP-MA) e Lucas Ribeiro (PP-PB) seguem com Lula, e a senadora eleita Tereza Surita (MDB-RR) declarou voto nele. Samara Martins (UP, 0,10%) é de esquerda. Entre os quatro presidenciáveis derrotados, Lula não recebeu nenhum endosso.
O peso e a medida. Cury + Renan + Caiado somam 8.729.604 votos, 3,9 vezes a diferença de 2.224.965 entre Flávio e Lula. Não é preciso que todos migrem: basta que a divisão seja assimétrica, e ela já foi medida. Quaest (02–03/10): eleitores de Renan 60% Flávio x 11% Lula x 27% branco/nulo; Caiado 43 x 19 x 36; Cury 34 x 23 x 41. Datafolha (29/09–01/10): Renan 54 x 28 x 16; Caiado 46 x 30 x 22; Cury 44 x 30 x 24. Zema (Datafolha, setembro): 48 x 25 x 27. A tabela usa a média dos dois institutos; o apoio de Caiado em 06/10 foi medido antes de existir e entra como margem de segurança, não como número. Duas ressalvas: o eleitor de Cury estava em empate técnico nas rodadas de setembro (35 x 33 e 41 x 35) e só abriu em outubro; e os cenários de 2º turno dos institutos já embutem essa migração, enquanto o modelo B parte da urna, o que faz dos dois estimadores independentes, não redundantes. Rejeição ("não votaria de jeito nenhum"): Lula 45%, Flávio 45% (Datafolha 01/10; 47 x 47 em 15–17/09), empate que define o teto de cada um em torno de 55%.
O que a literatura manda modelar. Em dois turnos binários, o custo do voto expressivo vira abstenção, branco e nulo dos órfãos (Pons & Tricaud, 2018, Econometrica); a transferência no Brasil é estratificada por escolaridade e região, não "ideologicamente pura" (Limongi & Guarnieri, 2014). Por isso cada eleitorado tem uma parcela que "abstém", e o modelo soma um choque de mobilização diferencial de ±1,2 ponto.
Resultado do modelo de transferência: spread esperado —, intervalo de 90% de — a —, probabilidade de Flávio —. Pool transferível: —.
| Entra quando os institutos publicarem a rejeição no cenário de 2º turno (Datafolha 08/10, AtlasIntel 09/10). |
| Segmentos (religião, renda, região, idade) entram com as pesquisas de 2º turno. |
Três modelos independentes, combinados por média bayesiana de modelos. Cada cenário sorteia um viés de pesquisa, uma deriva de campanha e uma matriz de transferência. A probabilidade é a fração de cenários em que Flávio termina acima de 50%.

modelos.py.Modelo A, pesquisas + viés + deriva. Parte do consenso de hoje (—), subtrai um viés sorteado da distribuição histórica (média —, sd —) e soma uma deriva de campanha. É o modelo mais conservador porque herda o empate técnico das pesquisas.
Modelo B, transferência mecânica. Usa só a urna de 04/10 e a matriz de transferência da seção 03. Não usa pesquisa nenhuma. É o mais otimista para Flávio porque assume que os apoios declarados se convertem.
Modelo C, estrutural. Regressão da margem do 2º turno sobre a margem do 1º nas sete eleições desde 1989 (seção 05). Tem a maior variância porque n = 7 e porque 2006 (margem cresceu de 7 para 22) e 2022 (caiu de 5 para 2) puxam para lados opostos.
Combinado. Pesos 45 / 35 / 20. Probabilidade de Flávio: —. Margem esperada —, intervalo de 90% entre — e — pontos. Parcela de Flávio nos válidos: —.
O prior é o modelo estrutural (o que o 2º turno "deveria" dar, pela história). Cada pesquisa entra como verossimilhança com variância = erro amostral + dispersão entre casas (1,5 pp). As precisões somam, a média é ponderada por precisão. O viés compartilhado não encolhe com mais pesquisas: entra uma única vez no fim, como deslocamento de média e como variância extra. Isso impede o erro clássico de somar pesquisas até a incerteza sumir, quando todas podem estar erradas na mesma direção (Clinton et al., 2021: 3,9 pontos de erro correlacionado nas nacionais de 2020 nos EUA).
Posterior hoje: — ± —, P(Flávio) = —. A tabela abaixo é o diário de bordo: quando Datafolha (08/10) e AtlasIntel (09/10) saírem, as linhas novas aparecem aqui.
Isso não é lei. É uma amostra de sete. Mas é a amostra que existe, e o modelo a trata com a regra de sucessão de Laplace: (k+1)/(n+2) = —.
O que a regressão diz. m2 = —·m1 + intercepto, R² = —, desvio residual — pontos. A margem de Flávio entre os dois no 1º turno foi —; a previsão pontual para o 2º é —, com um intervalo enorme. O R² baixo é o dado honesto: a margem do 1º turno diz pouco sobre o tamanho da vitória, mas o sinal nunca inverteu.
Os dois precedentes que importam, e o que o 7/7 não diz. Nenhum dos sete líderes chegou ao 2º turno com margem menor que 5,2 pontos entre os dois; Flávio chega com 2,0. E em seis das sete eleições o segundo colocado encurtou a distância. 2022 é o caso mais parecido: líder com 5,2, venceu por 1,8 porque o 2º colocado absorveu a terceira via e cresceu mais. 2014 é o segundo: 8,0 virou 3,3. 2006 é o contraexemplo de direção: Lula ampliou de 7 para 22 porque Alckmin não tinha para onde crescer. Lição para 2026: a margem de 1,87 pode encolher até virar, e o colchão de Flávio é fino. O que o sustenta não é a história; é o pool da seção 03 ser majoritariamente antipetista. Por isso o modelo estrutural tem o menor peso (20%).
Swing = (Flávio − Lula em 2026) − (Bolsonaro − Lula em 2022), ambos no 1º turno, em válidos. Positivo = o estado andou para a direita.

São Paulo decidiu o 1º turno. Flávio teve 51,93% x 38,20% em SP: margem de 3.416.610 votos, maior que a margem nacional de 2.224.965. Sem a margem paulista, Flávio teria perdido o 1º turno. Tarcísio, reeleito com 14.491.874 votos, teve 1.569.851 votos a mais que o presidenciável no estado: é o maior "estoque de transferência" do país. A abstenção em SP foi de 7.690.900 eleitores (22,54%).
O Sul é a reserva. PR (59,91%), SC (66,65%) e RS (55,64%) somaram margem de 5.042.624 votos para Flávio, mais que o dobro da margem nacional. Minas deu 48,24% x 43,33% (+588.612) com 3.735.098 abstenções, a segunda maior do país: é o estado em disputa real, e a reunião de Flávio com a bancada em 07/10 foi sobre Minas.
O Nordeste é o teto de Lula. BA 66,17% (−3.222.186 para Flávio), CE 63,29% com o maior comparecimento do país (84,48%), PI 70,99%, PE 63,45% mesmo sem palanque da governadora. O Consórcio Nordeste (9 UFs, 43,5 milhões de eleitores) deu a Lula 63,77% x 30,85%, margem de 11.095.611 votos. Ali o espaço de crescimento de Lula é a abstenção, não a conversão: BA 2.259.151 abstenções, CE 1.086.074. É por isso que Lula falou em "30 milhões que não foram votar".
resultados.tse.jus.br/oficial/ele2026/6257/dados/{uf}/…), 100% das seções, e resultados de 2022 por UF. Arquivos: data/resultado_1t_2026_uf.csv, data/resultado_2022_uf.csv.Duas réguas: a partidária (PL + PP + Republicanos + Novo) e a individual do Poder360 (direita / centro / esquerda, senador a senador). Entre as duas está a verdade de cada votação.

PL elegeu 19 das 54 vagas e chega a 28 senadores, a maior bancada de um partido em início de legislatura desde 1999 (o PMDB começou aquela com 29). Na régua individual: direita 49, esquerda 27, centro 5. Na régua partidária: bloco de Flávio 42 (um acima da maioria absoluta, e isso conta Deltan Dallagnol, cujo registro está sub judice no TSE), centro 23, bloco de Lula 16. A base de Lula em agosto de 2026 era 30 governistas, 34 de oposição e 17 flutuantes.
Com 49, a direita tem exatamente o quórum de PEC (3/5) e fica 5 abaixo dos 54 (2/3) que condenam ministro do STF em impeachment. Poder360: "A bancada da direita (49) não alcançará sozinha o quórum necessário para destituir magistrados do Supremo". A diferença entre as duas réguas (42 x 49) é o centrão: União, PSD, MDB e Podemos decidem PEC, impeachment e orçamento.
PL com 121, a maior bancada de um partido desde 1998 (+22 sobre os 99 de 2022). Régua do Poder360, partido a partido: direita 276, centro 113, esquerda 124. Régua estreita (só PL + PP + Republicanos + Novo): 213, 44 abaixo de 257. O dado que incomoda a narrativa de "onda": a direita tinha 275 em 2022 e tem 276 em 2027. A Câmara não andou para a direita em cadeiras; o PL cresceu dentro da direita. A federação PT-PV-PCdoB tem 88 (PT 70). A diferença de 2027 é que o centro já declarou voto: PP e União fecharam com Flávio em 06/10.
Cadeiras não são poder. Poder é a frequência com que um partido é o pivô de uma coalizão vencedora. Banzhaf conta coalizões em que a saída do partido derruba a maioria; Shapley-Shubik conta ordens de adesão em que o partido completa o quórum. Partidos com menos de 10 deputados (ou 3 senadores) entram agrupados.
modelos.py, função indices_poder). Fontes de composição: Câmara, Senado, Poder360 (régua individual), Agência Brasil.Eleitorado sob governadores alinhados: Flávio 91,0 mi (57,7% das 27 UFs) · Lula 26,0 mi (16,5%) · neutros 15,4 mi (9,8%) · em 2º turno 25,4 mi (16,1%).
O que o palanque entrega, e o que não entrega. Governador não transfere voto por decreto; transfere máquina, agenda, mídia regional e mobilização no dia. O aviso vem de 2022: 9 dos 15 governadores eleitos no 1º turno apoiaram Bolsonaro e 6 apoiaram Lula; ao fim, Bolsonaro tinha 14 governadores e Lula 11, e Lula venceu. Palanque não é voto. Dito isso, a assimetria de 2026 é maior: todo o Sul, todo o Centro-Oeste, SP, MG, PA e os dois PL do Norte estão com Flávio, e nas sete disputas estaduais em 2º turno o candidato alinhado a Flávio lidera em quatro (RJ, DF, ES, TO); no Acre o aliado é Alan Rick, o segundo colocado.
Tarcísio (SP, 62,65%): "A única coisa vermelha que a gente vai ver no dia 25 de outubro é o cartão vermelho" (06/10, Goiânia); "agora São Paulo vai ser decisivo para eleger Flávio Bolsonaro presidente" (04/10). Cleitinho (MG, 55,40%) declarou apoio em 05/10, sem condição, e citou a negociação da dívida de R$ 160 bilhões de Minas com a União como pauta da aliança. Caiado entregou Goiás ("243 prefeituras vão estar com você") e uma pauta programática: segurança, equilíbrio fiscal e anistia.
Do lado de Lula, Jerônimo (BA), Elmano (CE), Fonteles (PI, 70,90%, o governador mais votado do país), Mitidieri (SE) e Lucas Ribeiro (PB). Raquel Lyra (PE, PSD) ficou neutra: "Eu tenho uma gratidão a Lula e aos seus ministros, mas eu continuo mantendo a minha coerência de colocar Pernambuco em primeiro lugar" (05/10). Custa a Lula a máquina, não o eleitorado: PE já deu 63,45% a ele.
Rio de Janeiro é o único grande colégio com confronto direto no 2º turno estadual: Douglas Ruas (PL, 49,27%) x Eduardo Paes (PSD, 42,76%). O registro de Ruas tem pendência no TSE que pode declará-lo eleito no 1º turno. Flávio teve 53,01% no RJ.
data/extras.json.
Vice não ganha eleição. Mas diz o que a chapa quer ser. A escolha de um promotor alagoano, e não de um nome do centrão, foi deliberada: chapa pura PL, decidida seis meses antes do anúncio.

Ficha. Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, nascido em Maceió em 13/08/1970, 56 anos. Direito (1993), pós em Direito Público. Promotor e procurador do MP de Alagoas por 24 anos (1996–2020); coordenou o GECOC (combate a organizações criminosas); Procurador-Geral de Justiça (2017–2020); presidiu o GNCOC nacional (2018). Secretário de Segurança de Alagoas duas vezes, sob Renan Filho (2015–16 e 2021–22). Casos emblemáticos: o assassinato da deputada Ceci Cunha (1998) e a série de homicídios de moradores de rua em Maceió (2010–12). Candidato a prefeito de Maceió em 2020 (perdeu no 2º turno para JHC). Deputado federal em 2022 com 102.039 votos, o 2º mais votado de Alagoas, atrás só de Arthur Lira. MDB → União → PL (março de 2026).
CPMI do INSS. Relator desde 20/08/2025; relatório de 4,4 mil páginas pediu o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luís "Lulinha" da Silva e Daniel Vorcaro. O relatório foi rejeitado por 19 x 12 em 28/03/2026 e a comissão encerrou sem texto final. A bandeira ficou: "PT foi o grande responsável por desviar mais de R$ 6 bi".
O que agrega. (i) Credencial de segurança pública para o eixo "Brasil sem Medo" do plano; (ii) o único nordestino da chapa, numa região onde Lula teve 63,77%; (iii) biografia fora do clã. Passivo: a acusação de estupro de vulnerável levada à PF por Lindbergh Farias e Soraya Thronicke foi arquivada por Gilmar Mendes em 06/10/2026, a pedido da PGR ("não havia indícios que justificassem o prosseguimento"); Gaspar negou desde o início e ofereceu DNA. O pedido original mencionava também tráfico de influência e tentativa de suborno; sobre essas imputações não localizei desfecho. Pix, que Flávio trata como legado do governo do pai, é projeto do Banco Central iniciado em 2016 e lançado em 2020.
Os números do Banco Central, do Tesouro e da Instituição Fiscal Independente (IFI). O "primeiro teste", nas palavras de Fábio Murad (Ipê), "ocorrerá antes mesmo dos cem dias de governo".

R$ 11,055 tri em ago/2026, +4,2 pp no ano, maior desde mar/2021. PLDO projeta 86,0% em 2027 e pico de 87,8% em 2029; os anexos do PLOA já dizem 89,6% em 2029. Superávit necessário para estabilizar: 2,1% do PIB ao ano (IFI).
Com R$ 65,66 bi de deduções (precatórios, defesa, Fundo Social), o primário efetivo projetado é R$ 7,99 bi (0,05% do PIB). Banda de ±0,25 pp: piso de R$ 36,6 bi. Prazo constitucional de 17/07 descumprido; em 06/10 ainda "aguardando despacho" na CMO, sem relator. A LDO 2026 só saiu em 04/12/2025.
A IFI calcula −R$ 86,1 bi (−0,6%): divergência de R$ 104,8 bi, com contingenciamento de R$ 35,7 bi só para alcançar o piso da banda. Premissas: PIB 2,5% (Focus 1,5%), IPCA 3,6% (Focus 4,3%), Selic fim 12,0%, câmbio médio R$ 5,22, salário mínimo R$ 1.741.
O orçamento engessado. Despesa obrigatória é 91,7% da primária no PLOA 2027 (90,0% em 2027 subindo a 90,7% em 2030 no PLDO; o gatilho do arcabouço dispara em 95%). RGPS R$ 1.215 bi, pessoal R$ 474 bi, Bolsa Família R$ 157 bi, BPC R$ 154 bi, precatórios e RPV R$ 97,7 bi, emendas parlamentares R$ 44,8 bi. Cada R$ 1 de salário mínimo custa R$ 413 milhões por ano. Metade da despesa federal é indexada ao mínimo (IFI). E o PLOA já nasceu defasado: o piso do Bolsa Família subiu de R$ 600 para R$ 691 em 17/09 (Decreto 13.120), cerca de R$ 22,7 bi em 2027 fora do orçamento enviado, mais do que o superávit de R$ 18,6 bi que ele projeta.
O arcabouço (LC 200/2023). Despesa cresce o IPCA de 12 meses até junho mais 70% do crescimento real da receita, entre 0,6% e 2,5% ao ano (50% se a meta do ano anterior foi descumprida). 2024 a 2027 usaram o teto de 2,5%. O art. 6º-A já foi acionado em 2026 pelo déficit de 2025: veda novo benefício tributário e limita pessoal ao piso. A IFI diz que a regra "perde eficácia a partir de 2028": as despesas precisam crescer 3,3% (2027), 5,1% (2028), 3,9% (2029) e 3,2% (2030), sempre acima do teto. Quem assumir reescreve a regra ou contingencia todo ano.
Juros. Selic 13,75% (Copom de 16/09/2026); juro real de longo prazo 8,3% (era ~5% em 2018); déficit nominal 9,48% do PIB em 12 meses. A curva DI caiu 100 a 130 pontos nos vértices longos em 05/10 e passou a precificar Selic de 12,50% no fim de 2027. O Morgan Stanley vê Selic terminal de 11,00% "condicionada a plano fiscal crível". É o prêmio que o mercado paga por antecipação, e cobra de volta se o ajuste não vier.
A aritmética das promessas. A meta verbal de R$ 190 bi de corte da equipe de Flávio (ausente do plano protocolado) equivale a 2,6 vezes a meta da LDO e a 2,9 vezes as deduções, e a campanha não detalhou a composição (a Nexo chamou de "cheque em branco"). Consultores ouvidos pela imprensa falam em R$ 200 a 300 bi em 4 anos via "PEC da Transição" de contenção, corte de parafiscais, revisão de 10% das renúncias e reforma administrativa, e ninguém espera desvinculação do mínimo nem privatização de BB/Petrobras. Lula, em 04/10: "Não haverá política de corte fiscal capaz de prejudicar as pessoas pobres desse país". O Eurasia Group, única consultoria com número publicado, elevou a chance de Flávio de 45% para 70% em 06/10 e projeta margem de 3 a 4 pontos, lembrando o precedente de 2014.
| Indicadores com fonte em carregamento. |
Cada referência traz DOI verificado, o achado em uma frase e um rótulo honesto: SUSTENTA, CONDICIONA ou CONTRADIZ a tese desta página.

Viés por eleição ≈ 2 pp e variância ≈ 2× a declarada (Shirani-Mehr et al. 2018; Selb et al. 2023). O "eleitor envergonhado" raramente explica; não-resposta diferencial e decisão tardia explicam (Kennedy et al. 2018; Gelman et al. 2016). O erro cai conforme a eleição se aproxima (Jennings & Wlezien 2018). condiciona
Bandwagon existe e é causal, mas pequeno: 0,5 a 2 pp sobre indecisos e eleitores de baixa informação (Rothschild & Malhotra 2014; Morton et al. 2015). Opera por "elaboração cognitiva": quem sabe que o candidato lidera gera argumentos a favor (Mutz 1997). O 1º turno funciona como um exit poll nacional. sustenta
Com dois candidatos, o voto dos órfãos é sincero, não estratégico (Bouton 2013; Fujiwara 2011); o custo expressivo vira abstenção (Pons & Tricaud 2018). No Brasil a transferência é estratificada por escolaridade e região (Limongi & Guarnieri 2014) e o antipetismo é o preditor mais forte: antipetistas intolerantes tiveram 352% mais chance de votar em Bolsonaro em 2018 (Fuks, Ribeiro & Borba 2021). sustenta / condiciona
"Tempos bons mantêm o governo, tempos ruins o derrubam" (Lewis-Beck & Stegmaier 2000), com força maior onde a responsabilidade é clara (Duch & Stevenson 2008). Mas a base de baixa renda beneficiada por transferências vota no incumbente independente de partido (Hunter & Power 2007; Zucco 2008, 2013). É o colchão nordestino de Lula. contradiz a transferência anti-incumbente uniforme
O realinhamento evangélico à direita é o maior deslocamento estrutural do eleitorado desde 2010 (Smith 2019; Nicolau 2020; Layton et al. 2021). O "efeito púlpito" concentra-se nas últimas semanas e as pesquisas o capturam mal: em 2022 a vantagem de Bolsonaro entre evangélicos foi de 27 para 39 pontos entre a intenção e o voto reportado (Pereira & Nunes 2024). sustenta
House effects + random walk é o padrão (Jackman 2005; Linzer 2013; Heidemanns, Gelman & Morris 2020): a incerteza tem de embutir erro correlacionado entre pesquisas. Teoria do prospecto (Kahneman & Tversky 1979; Quattrone & Tversky 1988): aversão a perda favorece o incumbente se o eleitor se vê no domínio dos ganhos; favorece o desafiante no domínio das perdas. É empírico, não axioma. condiciona
Evidência separada de interpretação. Primeiro os dados: aprovação, segmentos, episódios. Depois os analistas, inclusive os de esquerda. Depois o contraponto: onde Lula ainda fala com a base.

A evidência estrutural. Evangélicos são cerca de 28% do eleitorado (Quaest) e a caminho de 36% da população (projeções citadas pela Gazeta do Povo); desde 2010 votam majoritariamente à direita, e a perda do PT entre os mais pobres acontece sobretudo no eleitor evangélico, enquanto entre católicos de baixa renda o partido manteve vantagem (Intercept, 24/08/2026). Há correlação consistente em todos os estados: quanto maior a presença evangélica no município, menor o voto no PT. A esquerda respondeu com "cartas abertas" e células partidárias, não com presença.
A evidência de ciclo. O governo entrou em 2026 com a dívida subindo 4 pontos do PIB no ano, Selic de 13,75% e comida cara na percepção. O 1º turno teve a maior abstenção desde 1998 e o próprio Lula identificou o alvo: "30 milhões de seres humanos não foram votar". Ele admitiu a leitura errada da véspera: "Confesso que estava convencido que ganharia no primeiro turno, mas já pensei isso outras vezes".
Os episódios de ruído (2025–2026). A reação ao monitoramento do Pix em janeiro de 2025, que o governo precisou revogar; os descontos indevidos no INSS, que viraram CPMI (instalada em 20/08/2025) com o nome do filho do presidente no relatório; a Operação Contenção no Rio (out/2025, 120 mortos), aprovada por 67% dos brasileiros (Quaest) e criticada por Lula numa frase condicional ("ordem de prisão, não de matança"), da qual 57% discordaram; o Banco Master, que atingiu os dois lados mas desgastou o STF; a disputa pela escala 6x1, em discussão no plenário do Senado desde 06/10 e que Lula transformou em cunha contra o PL ("vamos ver se tem coragem"). Cada um deles abriu uma distância entre o que o governo dizia e o que o eleitor sentia.
A evidência em números. Datafolha: avaliação ótimo/bom caiu de 35% (dez/2024) para 24% (fev/2025), a pior das três gestões Lula, e a queda foi mais funda no núcleo histórico: Nordeste de 49% para 33%, renda até 2 salários mínimos de 44% para 29%. Quaest (jan/2025): 66% disseram que o governo "errou" no caso do Pix; a comunicação do governo era avaliada como negativa por 53% e positiva por 18%. AtlasIntel (jun/2026, online): desaprovação de 52% no total, 56% na renda familiar até R$ 2 mil, 66% entre evangélicos (77% em setembro) e 81% entre 16–24 anos, número extremo que o Datafolha presencial de 01/10 não repete (jovens 45 x 46, empate). Datafolha 01/10 no cenário de 2º turno: evangélicos Flávio 62 x 32; Sul 59 x 34; ensino superior 52 x 41; brancos 53 x 40; e do outro lado Nordeste Lula 62 x 31, mulheres 51 x 41, 60+ 52 x 41, até fundamental 60 x 33, pretos 59 x 33. A isenção do IR até R$ 5 mil, a medida mais vendida do governo, era percebida como benefício por 30% (Quaest, fev/2026). Desemprego de 5,4% no 2º trimestre (menor para o período; a mínima da série foi 5,1% no fim de 2025) e salário mínimo de R$ 1.621 não viraram aprovação: 48% diziam em março que a economia piorou. Quaest (03/10): 43% temem a reeleição de Lula, 40% temem "a volta dos Bolsonaro".
O que os analistas dizem. André Singer, autor da tese do lulismo: "Um dos elementos da insatisfação tem a ver com o custo de vida, que esteve significativamente alto o tempo todo, e não baixa"; a "nova classe trabalhadora" fragmentada acha "que é preciso se virar por conta própria". Felipe Nunes (Quaest): "Quando a comida sobe de preço, o impacto é imediato, visível e politicamente mais forte". Jairo Nicolau documentou em 2020 a inversão de classe: a direita passou a crescer "massivamente entre os de baixa escolaridade". As 25 citações, com data e link, estão na linha do tempo abaixo.
O contraponto, que também é dado. O Nordeste deu a Lula 63,77%; o Piauí 70,99%; a Bahia 66,17%. Na própria AtlasIntel de junho, Lula liderava em "confiança" em 11 de 13 áreas de governo (saúde, educação, empregos, economia, pobreza), empatava em impostos e perdia só em criminalidade (43 x 47): o eleitor desaprova o conjunto e ainda assim confia mais nele em quase tudo, menos no tema que decide a periferia. Bolsa Família (R$ 157 bi), salário mínimo com ganho real e desemprego baixo são a parte do pacto que ainda funciona, e Zucco (2013) mostra que transferências condicionais compram voto de incumbente independentemente do partido. A esquerda não perdeu "o povo": perdeu o eleitor evangélico, o trabalhador por conta própria e o jovem que se informa pela internet, os três bolsões onde Pereira & Nunes mediram o maior movimento tardio pró-direita em 2022.
Leitura do autor opinião: a esquerda brasileira ficou fluente em falar sobre o povo e perdeu a fluência em falar com ele. A direita, com púlpito, corte de 40 segundos e um tema (segurança) que o eleitor de periferia sente na pele, ocupou o espaço. Isso não decide o 2º turno sozinho. Decide a elasticidade: quanto do pool da seção 03 ouve Lula e quanto já parou de ouvir.
86 declarações compiladas: candidatos, vices, governadores, dirigentes partidários, TSE, STF, família Bolsonaro, mercado e imprensa internacional.

"Confesso que estava convencido que ganharia no primeiro turno, mas já pensei isso outras vezes." · "O jogo vai começar. Estamos na prorrogação." · "Eu sou muito bom no mata-mata. No tête-à-tête." · "Agora sim, agora é importante ter debate na televisão" (em 01/10 dissera que debates "não produzem nada"). · "Não haverá política de corte fiscal capaz de prejudicar as pessoas pobres desse país."
"Foi por muito pouco." · "A palavra é mudança. O Brasil não aguenta mais." · "Eu só preciso de um mandato." · "Sou o único candidato que assumiu o compromisso pelo fim da reeleição." · "Vou participar de debates. Eu acho que são importantes." · "Maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara, pra gente mudar a Constituição."
TSE (Nunes Marques): "Não é o ideal uma abstenção de 20%. A ideia é intensificar e aperfeiçoar todos os mecanismos disponíveis para que a gente consiga diminuir esse percentual no segundo turno." Em nota de 06/10, o tribunal afirmou que a pausa de 50 minutos na divulgação não afetou a contagem. André Mendonça (TSE) multou Flávio em R$ 5 mil por impulsionar post contra Lula. Trump: "uma grande vitória. Apertada, mas uma vitória muito grande", sem endosso formal. Milei e Netanyahu parabenizaram. OEA (91 observadores) elogiou a eleição e apontou preocupação com desinformação.
Mercado de previsão não é verdade; é dinheiro apostado. Mas US$ 174 milhões negociados (522 vezes o volume de 2022) são um sinal que não dá para ignorar, e que divergiu das pesquisas por um mês inteiro.

A virada. Kalshi: Flávio ultrapassa Lula em 11/09. Polymarket: 52 x 45 em 10/09, 61 x 38 na semana de 23/09, 64 x 36 na véspera (03/10), 84 x 16 em 05/10. Em 21/09, a média de seis pesquisas dava Lula 1,5 ponto à frente enquanto todos os mercados davam Flávio entre 56% e 61%. Os traders precificaram a transferência dos eliminados e o padrão "líder do 1º turno vence" antes de a urna confirmar a liderança.
A reação de 05/10. Ibovespa +7,70% a 206.911,89 (recorde; giro de R$ 103,3 bi); dólar −4,12% a R$ 5,0022, uma das maiores quedas diárias em oito anos (as fontes divergem sobre 2022: −4,09% ou −4,48%); DI jan/29 −104 bp (12,65%), jan/31 −122 bp; CDS Brasil 5 anos 113 bp (−20). PETR4 +8,19%, BBAS3 +11,00%, BPAC11 +22,52%, B3SA3 +22,63%. Em 06/10, −0,52%: PETR4 −2,78% e BBAS3 −6,42%, esta por um motivo específico (o JPMorgan rebaixou o papel de neutro para underweight no dia seguinte ao upgrade do país); dólar a R$ 4,9745, menor em cinco meses. Em 03/10/2022, a reação ao 1º turno foi +5,54% e −4,09%: a de 2026 foi 2,2 pontos maior na bolsa. A própria fonte do precedente avisa que ele "não determina o comportamento de 2026".
As casas. JPMorgan elevou Brasil a overweight (+12% a +20%); Morgan Stanley vê Ibovespa 250 mil e USD/BRL 4,50 no 1T27 "condicionado a plano fiscal crível"; Goldman 4,50–4,80; Citi comprou Ibovespa futuro a 208.990 com alvo 250.000; BTG +11% a +20% (até +45%). Cenário Lula: dólar R$ 5,50 (JPMorgan, Verde). A única probabilidade numérica publicada por consultoria é a do Eurasia Group: 70% para Flávio em 06/10, subindo de 45%, ou seja, até a véspera a Eurasia tinha Lula como favorito enquanto a Polymarket dava Flávio 64%. A leitura do câmbio em 4,97, entre o 4,80–4,90 "Flávio" e o 5,50 "Lula", é consistente com 75–85% se o mercado fosse linear. estimativa
A ressalva que o próprio mercado faz. "Estamos diante de reprecificação de expectativa, não mudança de fundamentos. Mercado comprou uma aposta" (André Matos, MA7). "O mercado exigirá, em última instância, a execução das políticas, e não apenas sinais eleitorais" (Thomas Haugaard, Janus Henderson).
| Ativo | 02/10 | 05/10 | 06/10 |
|---|---|---|---|
| Ibovespa | 192.114 (+2,63%) | 206.912 (+7,70%) | 205.835 (−0,52%) |
| USD/BRL | 5,2133 | 5,0022 (−4,12%) | 4,9745 (−0,55%) |
| DI jan/27 | ~13,51% | 13,41% (−10 bp) | 13,41% |
| DI jan/29 | ~13,69% | 12,65% (−104 bp) | 12,50% (mín.) |
| DI jan/31 | ~13,92% | 12,70% (−122 bp) | 12,56% |
| CDS 5 anos | 131 bp | 119 / 113 bp | 109 bp |
| Polymarket P(Flávio) | 64% (03/10) | 84% | 84,3% |
| Kalshi P(Flávio) | 57% | 83% | — |
| Selic | 13,75% | 13,75% | 13,75% |
| Copom 05/11: corte de 25 bp (prob.) | 62,8% | 77% | — |
Horário eleitoral de 09 a 23/10, paritário (10 min/dia por chapa em bloco + 12,5 min em inserções), o que neutraliza a vantagem de coligação que Flávio tinha no 1º turno. Debates: Record 11/10 21h, pool de veículos em 15/10 (organizador a confirmar), Band 18/10 20h, Globo 23/10; Flávio confirmou formalmente só o da Band. Pesquisas: Datafolha e PoderData 08/10, AtlasIntel 09/10. As sabatinas da Globo foram adiadas em 06/10 para a semana de 12/10.

O que é. Agregação e modelagem estatística de pesquisas eleitorais registradas no TSE e de resultados oficiais, publicada como estudo independente de um analista quantitativo. O que não é: não é pesquisa eleitoral, não foi registrado como pesquisa, não é propaganda de candidato ou partido, e o autor não tem vínculo com nenhuma campanha. Probabilidades são saídas de modelo com premissas declaradas, não previsões garantidas. A cauda em que Lula vence existe e está desenhada na seção 04.
Pipeline. (1) Doze frentes de pesquisa, cada uma com a obrigação de citar URL em cada número e de rotular FATO e ESTIMATIVA; (2) para cada frente, dois verificadores adversariais, um conferindo números na fonte e outro procurando omissões e fatos contrários; (3) um crítico de completude lendo tudo; (4) modelos em Python (numpy, pandas, scipy) com semente fixa, ambiente uv, lint ruff; (5) esta página, HTML/CSS/JS puro, sem build, lendo os JSONs gerados. Tudo reproduzível.
Convenções. Spread = Flávio − Lula em pontos percentuais sobre votos válidos entre os dois. Erro de pesquisa = spread da pesquisa − spread da urna, direita − esquerda; negativo = subestimou a direita. Datas em ISO. Quando um instituto publica só totais, o válido foi recalculado e marcado.
Limites conhecidos. n = 7 eleições para o modelo estrutural; premissas de transferência são do autor até os institutos publicarem "segunda opção" no cenário de 2º turno; a régua "individual" do Senado é classificação jornalística (Poder360), não voto registrado; a composição da Câmara aguarda certificação do TSE em casos sub judice; a deriva de campanha foi calibrada em três 2ºs turnos. Os efeitos de casa de institutos com uma ou duas publicações são pouco identificados e ficam perto de zero por construção. Painéis online sem registro no TSE (Veritá) e amostras não probabilísticas (Palver) entram na série com seu efeito de casa, não foram excluídos. Nenhuma pesquisa de 2º turno com campo posterior a 04/10 existia até 06/10; tudo que está aqui é pré-1º turno mais a urna.
Dirijo uma software house e passo os dias modelando risco, pagamento e dado. Apliquei aqui o mesmo método que uso em finanças quantitativas: separar sinal de ruído, declarar a premissa, medir a incerteza e publicar o código. A tese de setembro acertou a direção do 1º turno. Se o 2º turno a contradisser, a página registra isso com o mesmo rigor.
